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Obras do PAS – Química Orgânica

ATENÇÃO ALUNOS DOS TERCEIROS ANOS QUE PRETENDEM FAZER O PAS, SEGUE O TEXTO E UMA ANÁLISE DA OBRA “QUÍMICA ORGÂNICA” DE VINÍCIUS DE MORARES.

ÓTIMO ESTUDO

CONTEXTO HISTÓRICO

Esta obra está inserida no livro de Vinicius de Moraes “Para viver um grande amor”, estruturado com poesia e prosa. Alguns pontos do livro se destacam como uma observação intensa do cotidiano e uma linguagem bem descontraída. Foi lançado na década de 1960, mais precisamente em 1962, época onde ocorreu a famosa revolução comportamental, surgimento do feminismo, movimentos em favor dos direitos dos negros e dos homossexuais. Em 1964 ocorre no Brasil o golpe civil – militar e empresarial contra o presidente João Goulart, nos próximos 21 anos o país passa por um período de escassez de liberdade de expressão, perseguição, prisão, tortura e assassinatos de grupos contrários a ditadura militar. Momento do surgimento de grupos de guerrilha que lutavam contra a censura e perseguição aos oposicionistas liderados pelos militares e paramilitares.

A obra Química Orgânica trata de um tema presente nas gerações dos anos 60 até as gerações atuais, as mulheres e as variadas “qualificações”, o autor se firma na aplicação da química, mais precisamente a orgânica.

O autor usa exemplos de mulheres de vários países europeus para exemplificar sua “teoria”, França, Itália, Alemanha com o objetivo de mostrar as peculiaridades das mulheres.

QUÍMICA ORGÂNICA

Há mulheres altas e mulheres baixas; mulheres bonitas e mulheres feias; mulheres gordas e mulheres magras; mulheres caseiras e mulheres rueiras; mulheres fecundas e mulheres estéreis; mulheres primíparas e mulheres multíparas; mulheres extrovertidas e mulheres inconsúteis; mulheres homófagas e mulheres inapetentes; mulheres suaves e mulheres wagnerianas; mulheres simples e mulheres fatais; – mulheres de toda sorte e toda sorte de mulheres no nosso mundo de homens. Mas, do que pouca gente sabe é que há duas categorias antagônicas de mulheres cujo conhecimento é da maior utilidade, de vez que pode ser determinante na relação desses dois sexos que eu, num dia feliz, chamei de “inimigos inseparáveis”. São as mulheres “ácidas” e as mulheres “básicas”, qualificação esta tirada à designação coletiva de compostos químicos que, no primeiro caso, são hidrogenados, de sabor azedo; e no segundo, resultam da união dos óxidos com a água e devolvem à tintura do tornassol, previamente avermelhada pelos ácidos, sua primitiva cor azul.

Darei exemplos para evitar que os ínscios e levianos, ao se deixarem levar pela mania de classificar, que às vezes resulta de uma teoria paracientífica, cometam injustiças irreparáveis. Pois a verdade é que mulheres que podem parecer em princípio “ácidas”, como as louras (conf. com a expressão corrente: “branca azeda”, etc.), podem apresentar tipos da maior basicidade. Não é possível haver mulher mais “básica” que Marylin Monroe, por exemplo; enquanto que Grace Kelly, que muita gente pode tomar por “básica”, é a mulher mais cítrica dos dias que correm. Podia-se fazer com Grace Kelly a maior limonada de todos os tempos, e nem todo o açúcar de Cuba seria capaz de adoçá-la.

De um modo geral, a mulher “ácida” é sempre bela, surpreendente mesmo de beleza. É como se a Natureza, em sua eterna sabedoria, procurasse corrigir essa hidrogenação excessiva com predicados que a façam perdoar, senão esquecer pelos homens. Porque uma coisa eu vos digo: é preciso muito conhecimento de química orgânica para poder distinguir uma “básica” ou uma “ácida” pela cara. A mulher “ácida” tem uma consciência intuitiva da sua química, e não é incomum vê-la querer passar por “básica” graças ao uso de maquilagem apropriada e outros disfarces próprios à categoria inimiga.

Como um homem prevenido vale por dois, dou aqui, por alto, noções geográficas e fisiológicas dos dois tipos, de modo que não chupe tamarindo aquele que gosta de manga, e vice-versa. A vol d’oiseau se pode dizer que as regiões escandinavas, certas regiões balcânicas e a América do Norte são infestadas de mulheres “ácidas”, no caso da América, sobretudo o Sul e Middlewest, onde há predominância do tipo one hundred per cent American. Ingrid Bergman é uma “ácida escandinava” típica e é preciso ir procurar uma Greta Garbo para achar a famosa exceção comum a toda a regra. As Ilhas Britânicas em si não são “ácidas”; mas há que ter cuidado com certas regiões da Escócia e da Irlanda, onde o limão come solto. Na França, com exceção de Paris e Île-de-France, e naturalmente da Côte d’Azur, reina uma certa acidez, sobretudo na Bretanha, Alsácia e Normandia. A Itália é “básica”, tirante, talvez, o Veneto e a Sicília. Os Países Baixos são o que há de mais “ácido”, Flandres ainda mais que a região flamenga. A Alemanha é à base do araque. Há, aí, que ir mais pelo padrão psicofisiológico que pelo geográfico.

Desconfie-se, em princípio, de mulheres com muita sarda ou tache-de-rousseur. Há exceções, é claro; mas vejam só Betty Davis, que é de dar dor na dentina. É bom também andar um pouco precavido com mulheres, louras ou morenas, levemente dentuças. Acidez quase certa.

Felizmente, a grande maioria é constituída de “básicas”, para bem de todos e felicidade geral da nação. Sobretudo no Brasil, felizmente liberto, desde alguns meses, da sua “ácida número um” – aliás de outras plagas, diga-se, o peito inchado do mais justo orgulho nacional.

ATIVIDADES

1 – Discorra sobre o contexto histórico no período do lançamento do texto “Química Orgânica”.

2 – Quais tipos de mulheres Vinicius conseguiu caracterizar?

3 – Para Vinicius tinha duas categorias de mulheres, explique cada uma delas:

*Mulheres ácidas

*Mulheres básicas

4 – De onde foram tiradas essas qualificações? Ácidas e básicas.

Professor Levi Porto

Em tempo: o vídeo abaixo não substitui o texto acima, mas talvez possa agregar algo.

Sobre Luís Cláudio LA

Olá, eu sou o prof. Luís Cláudio, atualmente vice-diretor do CEd 310 de Santa Maria. Estou aqui para ajudá-lo no que precisar. Caso necessite falar comigo, envie uma mensagem para (61) 99936-6528 ou email para vicediretor@ced310.com.br.
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